31 de jul. de 2020

Os Abatidos 156 – Musar Jeune 2012


24 Julho de 2020

Variedade:  Cinsault 50%, Syrah, 30%, Cabernet Sauvignon 20%

Álcool:  13,5%

Vinificação:  O vinho é fermentado em cubas revestidas de cimento e engarrafado um ano após a colheita e liberado um ano depois. Não passa por filtragem nem por guarda em madeira.

Origem: Bekaa - Libano

Preço: R$ 250

Onde encontrar: Mistral

Pertencente à família Hochar a vinícola foi fundada em 1930, por Gaston Hochar quando tinha apenas 20 anos. Mesmo jovem Gaston se inspirou na  tradição vinícola secular do Líbano e de suas viagens a Bordeaux onde surgiu a ideia de elaborar grandes vinhos no estilo adotado nesta região francesa.Os bons vinhos elaborados pela família tornaram a marca famosa no mundo todo. Mais tarde em 1984 a revista Decanter nomeou Serge Hochar como “Homem do Ano” do mundo do vinho. Em 2006 a Musar passa a certificar seus vinhos como orgânicos. Em 2007 a Musar lança sua linha de entrada denominada Jeune de onde faz parte o vinho que degustei hoje.

O exemplar provado apresentou cor rubi intenso indo para granada com leve halo de evolução. Boa complexidade olfativa com predominância floral, fruta maduras como ameixa e cereja, especiarias, tâmaras, leve azeitona preta, e certa acidez volátil. Na boca , leve, ótima acidez, taninos resolvidos, corpo curto para médio, e final de boca com cereja no licor. Um vinho leve delicado com tudo em seu lugar, agradou demais.

Avaliação 3


30 de jul. de 2020

Será que defeito virou moda


Começo esta crônica afirmando que respeito o gosto pessoal, afinal como diz o velho ditado, “o que seria do vermelho se todos gostassem do amarelo “? Isto é uma verdade em todos os aspectos da vida, desde nossas preferências por certos alimentos, passando para coisas mais simples como raças de cães, aromas de perfumes, modelos de carro, tipo de esporte, e até algo mais complexo como o estilo/personalidade das pessoas com quem nos relacionamos, e claro que o vinho não podia ficar fora disto. Como jornalista especializado tenho a oportunidade de provar todas as castas e os estilos, e nas degustações que realizo para a Go Where, ou mesmo nas nossas confrarias, sempre analiso os exemplares pela sua complexidade e harmonia. Para mim é fundamental que o gosto pessoal não deva interferir nestas análises, e afirmo que, em muitas ocasiões, tecnicamente pontuei vinhos com notas superiores a outros vinhos que faziam mais meu gosto pessoal. Nos últimos anos presenciamos  uma reviravolta no paladar do público consumidor, especialmente o de formadores de opinião, e aqueles vinhos “Parkerizados”, marcados pelo excesso de frutas maduras, álcool e madeira  perderam terreno para vinhos mais delicados, elegantes e fáceis de beber, bem no estilo que antecedeu o boom dos vinhos novomundistas acima citados. Algum problema com isto? Claro que não, pois muitos deles nunca mudaram seu estilo, mantendo uma agricultura mais tradicional com pouco ou quase não uso de químicos, e até mesmo mínima intervenção no processo de vinificação, sempre usando as experiências seculares de produção. Claro que o avanço tecnológico ajudou bastante, especialmente no que diz respeito a higiene, e muitos destes tradicionalistas a adotaram em diversas fases de seus processos de produção. Portanto, tenho uma certa dificuldade em afirmar que existe uma nova onda de vinhos naturais e orgânicos e até acho que esta rotulagem dificulta a compreensão destes exemplares. Os vinhos chamados de naturais, orgânicos, etc, em sua maioria são elaborados em processos tradicionais, onde existe pouca intervenção, tanto na viticultura como na vinificação. Tudo fica ainda mais complicado pois alguns produtores certificam seus vinhos e outros preferem não gastar dinheiro com isto. Mas o que mais me incomoda, e foi o motivo desta crônica, e que sempre que acontece uma grande mudança,  vem acompanhada de  radicalismo, no tema em questão são alguns daqueles produtores que elaboram vinhos mais extremos onde na maioria dos casos seu destaque se dá por terem algo diferente dos vinhos tradicionais, e infelizmente muitas vezes trata-se de defeitos de vinificação. Certamente este é um tema complexo e polêmico portanto vou  focar descrevendo apenas dois dos principais defeitos do vinho e suas causas 1) Brett( Brettanomyces) Aroma forte de estabulo, suor, couro, etc – Contaminação  pela levedura brettanomyces  nas uvas, equipamentos ou contenedores de guarda que poderiam ser reduzida ou eliminada se houvesse uso de SO2 ou mais baixas temperaturas na armazenagem. 2) Acidez Volátil -Bactéria acética que compromete o aroma e gosto do vinho trazendo aquele desagradável toque avinagrado. Esta contaminação ocorre normalmente por falta de higiene no processo de vinificação. Legislação europeia permite 1,2 g/litro, mesmo que na média os produtores em geral trabalhem por volta dos 0,5g/l .

Muito bem, este dois exemplos são tecnicamente reconhecidos como defeitos para os  vinhos, entretanto, dependendo de seu estágio de contaminação, podem dar mais complexidade aromática como é o caso do Brett em rótulos conhecidos como ocorre com o Beaucastel Chateauneuf du Pape, e Chateau Pichon Lallande apenas para citar dois casos, ou maior vibração no caso da acidez volátil em rótulos como o Vega Sicilia , Musar, e o Penfolds .  Então se racionalmente aceitamos estes defeitos por que estamos discutindo este assunto? Por uma razão muito simples já citada anteriormente: o radicalismo que muitas vezes acompanha o modismo. Quando o defeito passa a ser extremo, como acontece com muitos destes vinhos que eu apelidei de “Ripongas”, onde forte aromas de estabulo, bueiro, ou vinagre passam a ser cultuados como diferenciação ou qualidade. Mas como gosto não se discute, deixo para cada um de vocês analisar friamente os vinhos que tomarem e decidir se te satisfazem. Particularmente gosto muito de vinhos com um pouco de Brett quando a contaminação é baixa trazendo maior complexidade ao vinho como couro, pelo animal, mas fugiria correndo de aromas de bueiro, suor forte, cachorro molhado etc. Aceitaria a acidez volátil leve que traz aromas balsâmicos, frescor, e vibração na boca, mas fugiria do vinagre, a não ser para temperar a salada.

Existe uma série imensa de defeitos que poderiam ser usados como exemplo para esta crônica: aroma de gás, verduras cozidas, aroma sulfídrico, diacetil etc etc mas estes ficam para um post futuro.

Finalizo dizendo que extremos não deveriam ser referência, Saúde !


28 de jul. de 2020

Os Abatidos 155 – Crasto Branco 2010



20 Julho de 2020

Variedade:  Gouveio, Roupeiro e Rabigato

Álcool:  12%

Vinificação:  Todas as uvas foram desengaçadas e prensadas e seu  mosto i transferido para uma cubas de inox onde permanecem a uma temperatura de 8ºC durante 48 horas até à sua decantação. Sua fermentação alcoólica ocorreu em cubas de inox com temperaturas controladas de 14º C durante um período de 45 dias.

Maturação:  Sem passagem por madeira.

Origem: Douro - Portugal

Preço: R$ 160

Onde encontrar: Qualimpor

Os primeiros registros conhecidos referindo a Quinta do Crasto e a sua produção de vinhos datam de 1615. Entre 1758 e 1761, o Marquês de Pombal mandou instalar no Douro 335 marcos – pedras graníticas com dois metros de altura, 30 centímetros de largura e 20 centímetros de espessura – para delimitar aquela que seria a primeira região vinícola demarcada do mundo. Um marco pombalino, datado de 1758, pode ser visto na Quinta do Crasto junto à casa centenária. No início do século XX, a Quinta do Crasto foi adquirida por Constantino de Almeida, fundador da marca. Em 1981, Leonor Roquette, filha de Fernando, e o seu marido Jorge Roquette assumiram a propriedade e, com a ajuda dos seus filhos, deram início ao processo de remodelação e extensão das vinhas, bem como ao projeto de produção de Vinhos do Douro de Denominação de Origem Controlada (DOC). A empresa possui a Quinta do Crasto uma propriedade com 135 hectares sendo 74 dos quais ocupados por vinhas, a Quinta da Cabreira na sub-região do Douro Superior uma propriedade com 150 hectares de área total, 114 hectares dos quais  110 com vinhas novas e 4  com vinhas velhas.Vinha Maria Teresa ocupa uma área de 4,7 hectares, e finalmente a Vinha da Ponte com1.96 hectares, com mais de 40 anos.

O exemplar provado apresentou cor palha ainda com reflexos esverdeados apesar de ser um vinho com já 10 anos de vida. Olfativamente com predominância cítrica, ligeira ponta de frutas amarelas maduras e pedra molhada. Na boca muito fresco mas ao mesmo tempo com ligeira cremosidade , corpo médio persistência longa retrogosto mineral com presença de casca de limão e certa salinidade. Definitivamente parece mais jovem do que seus 10 , muito gostoso de tomar.

Avaliação 3

22 de jul. de 2020

Os Abatidos 154 – Peñalolen Syrah 2012



16 Julho de 2020

Variedade:  100% Syrah

Álcool:  15%

Vinificação:  Vinificação normal mas com extração lenta e longa, 32 dias de maceração, afinamento com claras de ovos, e leve filtragem para remover os sólidos.

Maturação: Passagem de 12 meses por barricas francesas de 2º e 3º uso.

Origem: Maipo - Chile

Preço: R$ 95

Onde encontrar: E Vino

O Clos Quebrada De Macul é uma vinícola de propriedade familiar que até um passado recente( 1970) vendia suas uvas para as principais vinícolas do Chile, mas acompanhando o “boom”dos vinhos chilenos, Isabelle e Ricardo Peña, uniram forças com o enólogo Ignacio Recabarren mais um investidor americano construindo em 1996 sua própria vinícola. Hoje são 3 vinícolas a saber: Viña Quebrada de Macul que elabora os vinhos Domus Aurea, Alba de Domus, e Stella Aurea, Vinha Paragua com vinhos elaborados só com uvas orgânicas que  elabora os vinhos Anka,e  Pargua, e finalmente a Viña Peñalolen que elabora os vinhos: Tez, Azul e a linha básica Peñalolen com os varietais Sauvignon Blanc, Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon, Syrah, e Carmenere

O exemplar provado faz parte da linha de entrada da vinícola . Rubi extra tinto, sem halo aparente de evolução. Olfativamente intenso, com frutas negras maduras como Cassis, blackbarries, floral, eucalipto, especiarias e toque de carne, e tosta. Na boca potente, alta acidez, taninos finos ainda presentes, quente, final de boca frutado, com toque de café torrado e alcoólico. Vinho estilo fruit bomb novomundista de alguns anos atrás, não desaponta pois é muito bem elaborado, mas para mim peca no excesso de álcool que é marcante na hora de ser tomado. Mas acidez resolveria o problema, vinho para dias frios e comida pesada.

Avaliação 3

21 de jul. de 2020

Os Abatidos 153 – Martin Schaetzel Riesling Kaefferkopf Granit Grand Cru 2009



14 Julho de 2020

Variedade:  100% Riesling

Álcool:  14%

Vinificação:  As uvas de agricultura Biodinâmica foram colhidas manualmente prensadas a frio por 6 horas. O processo de fermentação ocorreu naturalmente com leveduras nativas.

Maturação: Curta passagem por barricas francesas

Origem: Alsácia França

Preço: 65 Euros na Europa

Onde encontrar: Não disponível no Brasil

Vinícola fundada em 1930 por Martin Schaetzel. Já em 1998 Jean Schaetzel decidiu converter a propriedade primeiramente para agricultura orgânica e depois biodinâmica qualificando-se para as certificações francesas AB) e Biodinâmica. Em 2016 Marc Rinaldi adquire a vinícola com a ideia de realizar seu projeto de fazer grandes vinhos escolhendo os melhores trechos de terra de sua propriedade, além de uvas de viticultores talentosos e comprometidos com a agricultura biodinâmica da região, destacando assim o caráter específico de cada terroir. Hoje a  Martin Schaetzel é a marca comercial da Kirrenbourg sas, uma subsidiária da Rinaldi.

É sempre uma experiência interessante provar um Grad Cru alsaciano biodinâmico. Quem já provou vinhos novos desta região ficam impressionados com a mineralidade traduzida pelos deliciosos aromas petrolatos e pela complexidade frutas, e  flores, o que fica ainda mais evidente em vinhos mais antigos pois esta casta envelhece muito bem. Mas a minha experiência com a Riesling tem me mostrado que que os grandes exemplares alemães permitam uma guarda maior do que a maioria dos alsacianos especialmente de alguns biodinâmicos. Este Martin Schaetzel veio a reforçar esta teoria. Não pretendo criar polemica sobre este assunto de biodinâmicos pois sou apreciador de muitos deles como os Barmes Buecher,os Zind Humbrecht, só para citar dois, mas este é o segundo produtor que provo e que seu grand cru envelheceu muito cedo, o que não deveria acontecer por serem vinhos Top de linha. Vamos a ele: Dourado brilhante. Aromas de frutas brancas cozidas, maçã, pera, tostado e toque petrolato. Na boca deliciosa acidez em corpo médio para longo com boa persistência e final de boca com fruta passada e tostado. Que pena!

Avaliação 2