3 de nov. de 2019

Adega International Tasting 2019 ( Parte 1)




Neste nosso maravilhoso mundo dos vinhos muitas vezes ficamos extasiados, uma destas ocasiões é quando participamos de degustações verticais, que sempre são muito didáticas, e a coisa fica ainda melhor quando as mesmas ocorrem com grandes vinhos. No mês passado tive a honra de ser convidado pelo amigo Christian Burgos para o Adega International Tasting 2019 que comemorou os 14 anos de vida da Revista Adega. A programação do evento já dizia tudo:  Degustação Vertical Finca Bella Vista, com Gustavo Rearte, Degustação com destaques do Descorchados 2020, com Patricio Tapia, Degustação AAlto e AAlto PS, com Eduardo Ferran, e Degustação IL Caberlot, com Moritz Rogosk. Só não consegui participar da esperada degustação de Caberlot pois era meu aniversário de casamento e tinha um jantar com minha esposa. Mas vamos à 1ª degustação que participei com esta reconhecida vinícola argentina fundada em 1998 que foi uma das primeiras a elaborar vinhos de finca de altitude:

FINCA BELLA VISTA (ACHAVAL FERRER)

Quinta Bella Vista 2003 – Varietal 100% Malbec, com passagem de 13 meses por barrica novas francesas, 13,4% de álcool -   Rubi, média concentração sem halo. Floral, fruta mais madura, pólvora, ervas aromáticas, esmalte, e leve tosta. Alta acidez, taninos resolvidos, corpo médio, retrogosto com fruta madura e alcaçuz, persistência longa.  Vinho pronto comprovando o poder de guarda dos vinhos Achaval Ferrer 92/100

Quinta Bella Vista 2012 - Varietal 100% Malbec, com passagem de 15 meses por barrica novas francesas, 14,5 % de álcool -   Rubi violáceo, extra tinto, sem halo. Mineral, fruta negra, floral muito intenso, grafite, e balsâmico. Acidez média, taninos presentes, ponta de álcool, corpo médio para amplo, final muito elegante. 91/100

Quinta Bella Vista 2013  Varietal 100% Malbec, com passagem de 15 meses por barrica novas francesas, 14,5 % de álcool -    Rubi, extra tinto, sem halo. Leveduras frutas negras, tabaco. Boa acidez extra tinto taninos mais presentes, corpo médio, mais rustico, tânico e gastronômico. Um vinho mais potente com final trazendo alcaçuz 92/100

Quinta Bella Vista 2014 - Varietal 100% Malbec, com passagem de 15 meses por barrica novas francesas, 14,2 % de álcool -    Violáceo, média concentração, sem halo. Fechado, mineral, frutas negras frescas, tosta, e leve floral. Ótima acidez taninos mais presentes, direto, seco, corpo curto, final fresco, herbáceo, e mineral. Um vinho vibrante, elegante, foi meu favorito.  93/100

Quinta Bella Vista 2015 - Varietal 100% Malbec, com passagem de 15 meses por barrica novas francesas, 14,6% de álcool -   Rubi violáceo, extra tinto, levedura, frutas negras, violetas, Tabaco, tosta leve, mais presente. Macio elegante, delicado, taninos resolvidos, corpo curto, elegante, fino, chocolate . Um vinho jovem, mas já pronto para consumo.  92/100

30 de out. de 2019

Argiano está de casa nova

Riccardo Bogi


Com o objetivo de turbinar seus negócios em nossa terra a Argiano tradicional produtor da Toscana que hoje pertence ao brasileiro André Esteves decidiu  trocar de importador e a partir de agora traz seus vinhos pela Inovini. Para comemorar esta nova parceria a importadora organizou um almoço de apresentação da linha com a presença de Riccardo Bogi sales manager, que fez uma apresentação com muito conteúdo e história deste destacado produtor. A vinícola e o palácio onde está situada foi construído em 1581 pela família Pecci, mas a seguir passou pelas mãos de  diversas famílias de nobres da região até que por 10 anos propriedade de Andrea Cinzano , esta em 2012 passou o controle acionário a André Esteves. Identidade tradição e equilíbrio marcam esta que é uma das majs antigas vinícolas da região, tendo sido uma das 25 vinícolas fundadoras do Consorcio Brunello di Montalcino. 

Após a aquisição, já no ano de 2013, André contratou o expert em solos Pedro Parra e passau a tratar seus vinhedos com agricultura orgânica tendo como consultor o enologo Alberto Antonini. Em 2015 faz o lançamento de seu primeiro cru o Brunello Vigna del Suolo, em 2016 fecha a seleção e a identificação de 6 crus de Sangiovese de suas propriedades, e finalmente em 2017  inicia a restauração da histórica Villa. Hoje a vinícola possui 40 hectares de Sangiovese, 7 de Cabernet Sauvignon, 7 de Merlot, 4 de Petit Verdot e 10 de oliveiras. 
Vamos agora descrever os vinhos provados:

Rosso di Montalcino 2017 com passágem de 5 meses por bottes grandes da Slavônia, e 14,3% de álcool.  Produção anual 30 mil garrafas. - Rubi indo para granada, ralo, sem halo.Violetas, frutas vermelhas maduras e confitadas, e leve terroso. Ótima acidez, taninos finos, corpo médio, retrogosto bem frutado. R$ 235








NC IGT 2016 – Um corte de Cabernet Sauvignon, Merlot,  Sangiovese e Petit Verdot, com passágem de 5 meses  por barricas francesas de 2º , e 3º  uso, e 13,9% de álcool. . Produção anual 100 mil.  Rubi intenso, sem halo. Olfativamente mais austero, violetas, cereja no licor,pimenta, e toque herbáceo. Ótima acidez, taninos presentes de ótima qualidade, corpo médi,o suculento final fresco e frutado.Vinho fácil de gostar. R$ 135







Brunello di Montalcino  2014 – Varietal 100% Sangiovese com 24 meses de passágem por de barricas francesas, e 13,5% de álcool. Produção Anual de 70 mil garrafas- Granada, ralo , halo intenso. Frutas evoluidas, funghi, floral delicado, toque terroso. Alta acidez taninos finos resolvidos, corpo médio, retrogosto frutado e toque tostado. Um vinho direto, austero que comprova a qualidade deste produtor, um ótimo vinho da pior safra na região dos últimos anos. R$ 540






Solengo IGT 2016 – Corte com 50% Cabernet Sauvignon,25% Petit Verdot, 20% Merlot e 5% Sangiovese, com passagem de 18 meses por barricas francesas sendo 50% novas e 50% de 2º uso, e 14,4% de álcool. Produção Anual 27 mil garrafas. Rubi extra tinto, sem halo. Nariz complexo, com frutas negras frescas, pimenta, violetas, menta, e toque mineral. Ótima acidez, taninos presentes, encorpado, sedoso, final de boca frutado e tostado. Um vinho cremoso com tremendo balanço de boca e grande potencial de guarda. R$ 825






Desejo sucesso e longa parceria a Argiano/ Inovini.

INOVINI – Site: www.inovini.com.br  - Fone (011) 94590 0978

25 de out. de 2019

Coppo, taças de bons vinhos

Paolo Coppo


Coppo é uma família tradicional que produz vinhos no Piemonte por volta de três séculos, hoje o produtor é considerado pelos experts como o Rei da Barbera mas posso garantir que tudo o que eles produzem podem ser consumidos de olho fechados. No Brasil eles são representados por Ciro Lilla e sua Mistral por mais de 25 anos em uma parceria que promete durar muito mais anos. Anteontem tive o prazer de rever e jantar com Paolo Coppo, que esteve acompanhado por Gianni Fabrizio um dos mais importantes e influentes jornalistas de vinho da Itália que tenho o prazer de encontrar todos os anos nos Anteprimas Toscanos. 

Eu, Suzana Barelli, Gianni Fabrizio, e Gastão Bolonhez
Mas vamos voltar a Coppo e seus vinhos, além dos Barberas, Paolo produz hoje espumantes da mais alta qualidade ( Piero Coppo Riserva del Fondatore, Riserva Coppo, Clelia Coppo, e Luiggi Coppo)  , assim como brancos surpreendentes (Riserva dela Famiglia, Monteriolo, e Castebianchi ) para mim entre os melhores brancos da Itália, Nos tintos o destaque fica para os Barbera ( Riserva dela Famiglia, Pomorosso, Cascina Gavelli, Camp du Rouss, e L’Avocata), produz também Barolo DOCG, La Rocca Gavi DOCG, e Moncalvina Moscato. Paolo aproveitou o evento Settimana dela Cucina Regionale Italiana, para acompanhar o chef Andrea Picotti que representou a região do Piemonte no Terraço Itália, lá junto ao menu de Andrea provamos os seguintes vinhos:

Gavi La Rocca 2017 – Um branco 100% Cortese marcado por delicadas frutas amarelas, e pontinha cítrica. Um vinho leve e fresco para beber de garrafa R$ 143









Monteriolo Chardonnay 2016 – Um branco 100% Chardonnay direto, vertical, limpo, deliciosamente mineral.  Um vinho elegante com diversas camadas olfativas, com abacaxi fresco, pêssego notas florais e delicado tostado, um Borgonha italiano. R$ 588








Barbera Pomorosso 2015 – Um Barbera D’Asti 100% muito complexo, marcado por cereja no lico, amora, violetas e mineralidade. Na boca, tripé perfeito e retrogosto com frutas negras e alcaçuz, um grande vinho pedindo mais guarda. R$ 854









Barolo DOCG 2012 - Tinto 100% Nebbiolo. Granada ralo, com halo de evolução. Nariz austero trazendo violetas, frutas vermelhas maduras, sottobsco, e alcaçuz. Na boca mais delicado e pronto para beber - R$ 725









Espumante Piero Coppo Riserva del Fondatore 1996 -Um espumante com 10 anos de sur lie, corte de 60% de Pinot Nero e 40% de Chardonnay. Espumante de grande complexidade, frutas amarelas maduras, brioche, levedura, graviola, nozes. Na boca  estruturado, acidez refrescante, final de boca complexo, uma verdadeira jóia. Não disponível no Brasil - 95 Euros na Europa para safra 2007








Uma noite descontraída que contou ainda com a presença os amigos Susana Barelli, Luiz Gastão Bolonhez.e Rodrigo Mainardi da Mistral

Mistral : Site- www.mistral.com.br – Fone (011) 3372 3400

23 de out. de 2019

Provino começou com o pé direito



Na semana passada tive o prazer de participar de um dia de atividades da ProVino, em sua primeira edição, que contou com a presença de produtores e importadores de vinhos do Brasil, Argentina, Chile, França, Itália, Portugal e Uruguai, Bolívia e Áustria. O resultado não poderia ser melhor, pois a feira teve foco em profissionais do setor o que tornou a mesma mais fácil de ser aproveitada pelos diferentes segmentos de interesse. Para os produtores internacionais os importadores brasileiros em busca de novos rótulos, para os produtores nacionais e importadores presentes, os donos de restaurantes, enotecas, sommelier etc, e para nos, jornalistas e formadores de opinião finalmente espaço e tempo para poder provar e escrever sobre os vinhos apresentados. Desta vez não presenciei nenhum empurra empurra, não vi ninguém alcoolizado falando alto e querendo aquele vinho “me dá o melhor que você tem ai” enfim saí realmente satisfeito e com muito material. Portanto deixo aqui registrado meu reconhecimento aos organizadores Malu Sevieri e Rico Azeredo, sócios da Emme Brasil, e Christian Burgos, sócio da Editora Inner, que viabilizaram a ProVino de forma profissional. Tenho certeza que este será a primeira de muitas feiras voltada para profissionais substituindo a extinta Expovinis. Muita gente poderá me perguntar e os consumidores finais como ficam? Lembro que já existem algumas outras feiras como a Wine Weekend e a Encontro de Vinhos além das organizadas pelos próprios importadores específicas para este segmento.
Claro que como só tive tempo de ir em um dia não consegui provar tudo, vamos portanto conhecer meus favoritos entre os provados:


No Stand do Uruguay que contava com a presença de suas vinícolas mais premiadas: Bracco Bosca, Castillo Viejo, Antigua Bodega, El Capricho, Establecimiento Juanico/Familia Deicas, Familia Traversa, Brisas, Gimenez Mendez, H. Stagnari, Montes Toscanini, Finca Narbona e Varela Zarranza, só provei os vinhos da Montes Toscanini e meu destaque ficou para o Carlos Montes 2017  um delicioso Tannat  com 2 anos de passagem por barrica americana e 13% de álcool.





Representando o Chile estavam presentes Casa Silva, Dos Almas, Hacienda Maule, Morandé, Nobel Chile , Concha y Toro,  Sur Valles, e Patria Nueva da qual gostei muito do  Patria Nueva Cabernet Sauvignon Reserva Especial 2018, vinho redondo leve para o dia a dia.









No stand de Portugal as marcas 5 Bagos, Convivo de Sabores, Grande Porto, Vallegre, e Fladgate Partnership com Taylor’s, Fonseca, Croft e Krohn. Não provei nenhum

Pela  França a Vignobles Bouillac, Bleu de Mer com seu Bernard Magrez Bleu de Mer Premium 2018 um rosé limpo com muito tutti fruti e mineral, fácil de beber trazido pelo Grupo Ciclon  









A Bolívia também esteve presente com os surpreendentes vinhos da vinícola Kohlberg onde meu destaque ficou para o Kohlberg Cabernet Sauvignon 2016, um vinho austero muito bem elaborado.










No stand da Itália tive a oportunidade de provar mais vinhos e dou destaque a dois: o Campi Flegrei 2018 um delicioso Falanghina bem floral, com toque salgadinho e muito frescor na boca. O produtor fez questão de servir um da safra 2014 que mostrou todo o potencial de guarda do mesmo, e que acabou lembrando um bom Riesling. O segundo vinho foi o complexo Nero D’Avola Eughenenes 2017 muito senhoril quando comparado com a média de vinhos desta casta, agradou muito.





Dos produtores nacionais provei cinco vinhos da Thera, nova vinícola de Santa Catarina onde se destacou o Thera Mandai 2017 um corte de Merlot, Cabernet Franc, Malbec, e Syrah com 12 meses de barrica francêsa, vinho elegante suculento. 








Na Miolo meu amigo Fábio não me deixou sair enquanto eu não provasse 7 exemplaresdentre os quais tenho que destacar o espumante sensacional complexo, cremoso Miolo Iride com 10 anos de sur lies produção de 1800 garrafa. Rs 400.

Na Valduga me agradou demais o austero Casa Valduga Cabernet Franc 2015  um vinho que comprova o potencial da variedade nos países da América do Sul incluindo o Brasil










Entre os importadores visitei a Monvin e dos 5 vinhos provados o que mais me agradou foi o  Siendra Chappillion 2017  um corte espanhol com 80% de Garnacha  7% de Merlot, 7% de Cabernet Sauvignon, e 6% de Syrah  com 16 mesesde passagem por barricas de segundo uso.  Um vinho vibrante, nervoso com ótima acidez e taninos domados. R$ 174







Na visita à World Wine me agradou demais o Herdade do Rocim 2017, um corte de Touriga Nacional, Alicante Bouchet e Aragones. Um vinho direto, com fruta limpa e gostosa emuita  mineralidade .










W Tommasi e João Valduga

Agora só falta esperar o evento de 2020 Parabéns aos idealizadores.

16 de out. de 2019

Os Vinhos da Occitânia



Occitânia é uma região administrativa localizada no sudeste da França. Região que surgiu pela reforma territorial francesa de 2014, pela fusão do Languedoc-Roussilon com o Sul dosPirenéus. Hoje ela é a maior região produtora de vinhos do mundo com seus 273 mil hectares de vinhedos plantados, o que gera 1/3 dos vinhos elaborados na França. Sua região pode ser dividida em duas áreas bem especificas, a sudoeste com as denominações Gascogne, Cahors, Gailac e Fronton, e a sudeste com Limoux, Corbrieres ,e Minervois. A região se destaca pela unicidade de suas varietais, sendo as principais tintas a Malbec, Tannat, Negrette e Duras e entre as brancas a Gros Manseng, Colombard, e Mauzac. A produção de vinhos desta região tom como predominância os vinhos tintos com  55%  seguido dos brancos com 27% e dos roses com 18 %. Com o objetivo de divulgar esta nova região recebemos no mês passado um grupo de vinícolas francesas da região da Occitânia chamado de Rendez-vous Occitans que veio em busca de  importadores para seus vinho aqui no Brasil. Na data tive oportunidade de provar por volta de 30 vinhos dos quais destaco meus favoritos:

Signatures Veilles Vignes  2015 - Appelation Côtes du Rhone Villages - Corte de Syrah Grenache e Carignan com 14% de álcool. Um vinho austero com ótimo balanço de boca e final sedutor Na França custa Euros 8 para o consumidor final.










Chateau Grand Chene 2016 – Apellation  Brulhois - Corte de Tannat, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, e Merlot com 14% de álcool – Vinho predominantemente frutado mas sem dulçor e com madeira muito bem integrada. Na boca bom balanço com predominância dos taninos. Muito gastronômico. Na França custa Euros 8 para o consumidor final.








Bessey de Boissy 2015- Apelltion  Coteaux-du-Quercy - Corte de Cabernet Franc, Malbec e Tannat com 13% álcool. Vinho de boa complexidade olfativo e tripé perfeito, elegante e macio. Na França custa Euros 5,2  para o consumidor final.









Etc Rose 2017 -Appelation Cahors - Corte de Cabernet Franc, Merlot, Malbec e Gamay , com 12% de álcool. Vinho de grande frescor tanto no nariz marcado pelo tutti frutti como na boca, bom custo benefício Na França custa Euros 4,5 para o consumidor final.









Domaine de Moulines Prestige 2017 – Appelation Languedoc -Corte de Cabernet Sauvignon, Merlot e Marselan com 13,5% de álcool. Nariz austero com fruta negras cereja, azeitonas pretas, e tostado. Bom balanço de boca e final frutado com toque de alcaçuz. Na França custa Euros 10 para o consumidor final.








Bladinieres  Liorit Mas des Etoiles 2015 _ Appelation Cahors- Varietal 100% Malbec  com 14,5% de álcool – Boa presença de frutas, cereja, chocolate, e especiarias doces. Boca fácil macia taninos resolvidos e final frutado. Na França custa Euros 10 para oconsumidor final








Vamos certamente ouvir mais e mais sobre esta região se seus produtores continuarem a divulgar seus vinhos pois eles são de qualidade e tem preço bem acessível que tudo o que um apreciador de vinhos quer..