26 de fev de 2017

Tintos maduros uma decisão difícil



 
Gostar de vinho tinto é muito prazeroso, mas achar o tempo certo de cada vinho é uma arte que, admito, pouca gente tem condições de fazer  pela  complicada relação dinheiro/tempo. Normalmente todos começam a tomar vinhos jovens, pois são estes os que encontramos no mercado brasileiro, diferentemente da Europa, onde importadoras, restaurantes  e enotecas tem o costume  de fazer guarda de vinhos para os consumidores mais exigentes. O problema é que com o passar do tempo você nota que bons vinhos tintos  realmente precisam de tempo de evolução em garrafa, e aí mora o perigo porque quanto mais exigente o consumidor fica, mais ele quer tomar vinhos maduros,  momento em  que o vinho mostra toda  complexidade olfativa e suas sensações de boca se tornam aveludadas com um perfeito balanço entre acidez, taninos e álcool. Como fazer então?  Você tem tres alternativas: 1)  Se sua situação financeira é confortável escolha, ou peça consultoria a um bom sommeliere, o nome de alguns bons rótulos  que tenham potencial de guarda e compre uma caixa de cada. Estime quanto tempo será necessário para que o vinho atinja seu ponto correto de consumo e lá chegando comece a abrir uma garrafa por ano, acompanhe sua evolução e quando estiver no ponto não espere, convide os amigos apreciadores e curtam o vinho. Importante: se por ventura sentir que ele está começando a passar do ponto não vacile, abra a outra garrafa e se confirmar a sensação não perca mais  tempo e faça o consumo do estoque senão você irá ficar muito decepcionado, afinal você gastou bons anos guardando “a joia” e corre o risco de não receber de volta os prazeres esperados. 2) A segunda alternativa é mais fácil e menos custosa, basta escolher alguns bons rotulos e guarda-los por volta de 10 anos e correr o risco, ( normalmente é satisfação garantida para bons vinhos do velho mundo e alguns do novo mundo), claro que são vinhos para ocasiões especiais, mas pergunto quem tem condições de tomar vinhos TOP todos os dias ? 3)  A alternativa final é de relaxar e consumir os vinhos que você encontra nas importadoras, tentando sempre comprar as safras mais antigas, que são relativamente comuns de serem encontradas nas promoções anuais quando as principais importadoras fazem a limpa de seus estoques antigos, pontas de estoques, ou mesmo visando  finalizar exemplares de vinícolas que eles não querem mais trabalhar. Certamente uma alternativa sem muito risco, mais econômica, e que costuma dar certo.  Se nada disto te anima, sem problemas,  continue tomando os vinhos que estão disponíveis no mercado  mesmo que jovens e aproveite, mas tenho a impressão que o dia que você tomar um vinho maduro no ponto certo vai lembrar desta matéria.

Saúde

7 de fev de 2017

Momento de reflexão voltando das férias


O mundo do vinho, como tudo nas mídias sociais, está entrando em um tipo de caos que só perde para as infinitas e estúpidas discussões sobre política. Modismos, estrelismo, tendências, preferências tudo é motivo de discussão e afirmação de alguns novos iluminados. Nosso mercado tem muitos Millis Vanillis Vinus  que sabem tudo, desde os milhares de rótulos chilenos, aos vinhos mais tradicionais como os da Borgonha ou do Piemonte ( apenas para citar duas fontes) suas diferentes características, safras ou até mesmo de seus pequenos “Crus”. Nessas horas me pergunto como é possível ter tamanha capacidade e conhecimento? Será por experiência física (provando todos os vinhos publicados), ou pela simples leitura de panfletos comerciais e notas dos sites dos produtores?  Particularmente admito que não tenho esta capacidade ! Falo única e exclusivamente sobre os vinhos que provo e “gosto”, evitando críticas aos que não me agradam, afinal pessoas tem gostos diferentes. 


Durante minhas últimas férias (que por sinal estão ficando cada vez mais extensas) estava pensando: porque ainda mantenho este meu  blog já que tenho meu espaço profissional na mídia escrita? Desde que lancei meu “Tommasi no Vinho” nunca tive como objetivo ganhar dinheiro com ele, mesmo que já tenha recebido algumas ofertas de patrocínio. Respeito muito meus amigos blogueiros que profissionalizaram seus blogs e sites, e não vai aqui nenhum tipo de crítica, afinal o meu blog sempre foi e continuará sendo amador. Bem, a resposta à minha dúvida foi SIM  quero e vou  continuar com meu blog independente, escrevendo quando existe algo para ser escrito sem a obrigação de ser algo diário ou semanal e sem compromisso comercial com nenhum produtor ou importador. Mas porque então de minha dúvida inicial? E a resposta foi de que talvez eu já estivesse cansado do formato do mesmo, portanto durante 2017  estarei  mais uma vez presente no dia a dia dos que me seguem, mas com algumas mudanças: 1) Quero que meus posts tenham ainda mais conteúdo, 2) Evitar “over exposure” por múltiplas  postagens,  3) Só comentar os vinhos provados mas sem perder tempo com pontuações, 4) Publicar  mais crônicas argumentativas.

Espero que a mudança seja positiva e que eu tenha tempo suficiente superando a preguiça para escrever mais um pouco sobre este complexo e maravilhoso mundo do vinho.

Um brinde a todos vocês

21 de nov de 2016

Visitando o Douro pela Jovem Pan

O Douro visto da Quinta dos Murças 

Hoje vou dedicar meu post ao segundo tema de minha recente viagem a Portugal “o Douro” e para quem já conhece esta região o que falarei hoje não será nenhuma novidade. O Douro é para mim a mais linda região vinícola do mundo, tendo como destaque as bucólicas encostas, do rio que lhe dá o nome, sempre decoradas por centenas de Quintas e seus coloridos vinhedos que vão mudando de cor com o passar das estações. Lá tivemos o prazer de visitar duas Quintas, a do  Crasto, para mim a de mais  bela vista das quintas de lá, e a dos Murças hoje de propriedade da Herdade do Esporão. No Crasto fomos recebidos pelo sempre alegre e dinâmico Thomas Roquette (uma figuraça) em delicioso almoço, e pelo gentil e prestativo Pedro Guedes de Almeida durante nossa visita e estada na Quinta. Uma visita com o tratamento VIP que já nos acostumamos a receber quando vamos a Portugal, com muitas histórias, boa comida e ótimos vinhos!

Sobre os vinhos
Bem sou suspeito para falar dos vinhos desta região, pois aprecio demais sua capacidade de guarda e sua complexidade aromática, tive uma prova disto em degustação de safras antigas que fizemos na Quinta Crasto durante jantar com o Pedro Guedes. Fomos surpreendidos  com o vivo e fresco Crasto Branco 2008, o sedoso Crasto Tinto 2003, ambos vinhos de entrada da casa que aqui no Brasil custam por volta de R$ 80 a garrafa, e que estavam perfeitos para o consumo  mesmo com seus longos anos de garrafa que não é comum para os vinhos mais básicos,  na sequência um o complexo, maduro e ainda frutado Tinta Roriz de 1997 que foi aclamado pelo grupo que me acompanhava,  e para finalizar um dos épicos da casa o inconfundível e único Maria Teresa 2003, um vinho pronto para beber mas que estou certo que atingirá seu ápice daqui uns 5 anos. Claro que durante nossa estada tivemos a oportunidade de provar todos os vinhos da casa, tanto durante nossa visita pela adega, como durante as degustações programadas e nos almoços, mas fiz questão de destacar os exemplares do jantar que me ajudam a explicar uma coisa muito importante, que quando o produtor é bom os resultados são vistos especialmente em duas frentes: a qualidade de seus vinhos de entrada e a capacidade de envelhecimento dos mesmos e ainda mais da sua linha TOP. E por ai que se separam os homens dos meninos.
Jantar na Quinta do Crasto

Ainda sobre os vinhos elaborados no Douro devo dizer que hoje em dia eles me agradam ainda mais do que na época do boom dos denominados  vinhos novomundistas. E explico, hoje a maioria deles  estão mais elegantes e menos pesados, mas ainda mantendo o vigor e o grande potencial de  guarda. P que os tornam mais fáceis de beber e de acompanhar as deliciosas comidas regionais. Da segunda visita ( Quinta de Murças) que produz o conhecido Assobio , e o complexo Murça Reserva,  vou concentrar minhas linhas nas  novidades da vinícola,  neste mês de Novembro fazem o  lançamento de 3 novos rótulos , que nos, felizardos, conseguimos provar em avant premier:  o elegante Minas elaborado com uvas que vem dos lotes mais altos dos vinhedos, o estruturado Margem que como o nome já diz vem dos lotes perto da margem do rio, e o TOP de linha VV47 2012 proveniente de uvas do melhor lote dos vinhedos, bem no estilo dos Crus franceses. Estes novos vinhos passam a integrar o portfólio da Qualimpor no ano de 2017. Não esquecendo todos os vinhos que levam o nome de Quinta de Murças são elaborados com uvas de cultivo orgânico e fermentados com leveduras indígenas
Curtindo o Douro da piscina da Quinta do Crasto

DICAS
Pernoite na Quinta do Crasto, uma das vistas mais bonita do Douro com direito a um banho de piscina sem fim com vista para o rio Douro inesquecível.
Passeio de barco Frienship. Imperdivelmente bucólico
Estada no tradicional Vintage House Hotel no Pinhão. Um luxo só.
Passeio de trem pelas costas do Douro. Encantador
Sem comentários rss !

OBS: Todos os vinhos tanto da Quinta do Crasto como da Quinta da Murça são distribuídos no Brasil com exclusividade pela Qualimpor, mais informações chequem no site abaixo.
Aproveito para agradecer a calorosa recepção que tivemos nas duas quintas.


Qualimpor : Site - www.qualimpor.com.br  - Fone (011) 5181 4492

18 de nov de 2016

Viagem a Portugal representando a Radio Jovem Pan


No mês passado tive o prazer de visitar  alguns produtores em diferentes  regiões de Portugal a convite da Qualimpor . Fiz a viagem representando a Rádio Jovem Pan, o que  gerou cinco matérias para o programa Enoteca Jovem Pan comandada pelo meu caro amigo Esper Chacur .Três delas já foram editadas e as últimas duas deverão estar no ar ainda dentro deste mês . Aproveito portanto, para publicar  um resumo do que tive a oportunidade de lá vivenciar e que serviu de base para as cinco entrevistas .
 A viagem foi realmente deliciosa e com uma programação bem intensa  -  No primeiro dia visitamos a vinícola Esporão no Alentejo
No segundo um passeio turístico por Lisboa visto termos 2 jornalistas mais voltados para o turismo
No terceiro dia visita à Quinta do Ameal na região do Minho
No quarto dia um passeio pela  encantadora Bairrada
No quinto visitamos as instalações da Taylors no Porto
No sexto dia a icônica Quinta do Crasto no Douro
E finalmente no sétimo a Quinta de Murças  braço do Esporão no Douro

QUINTA AMEAL


 Gostaria de  iniciar o relato pela visita à Quinta Ameal na região do Minho e dos vinhos verdes, uma área conhecida sempre por vinhos simples mas que depois da internacionalização da Alvarinho surgiu para o mundo com grandes brancos, especialmente os Alvarinhos. Hoje a mídia especializada em vinhos conhece e reverencía a região mais pelos seus  ótimos Alvarinhos, especialmente os do enólogo Anselmo Mendes responsável pela grande virada desta região. Pois ele foi o consultor escolhido e contratado pela Quinta do Ameal  para elaborar os vinhos da casa, mas saindo do novo lugar comum e utilizando-se da casta  Loureiro,  uma varietal que encontra no Vale do Lima citado como o local perfeito para que esta mostre todo seu potencial.  Esta vinícola boutique, que certamente vai se tornar referência, elabora apenas quatro vinhos brancos, sendo um deles de sobremesa. O segredo para trabalhar com a Loureiro? Estar no terroir certo, reduzir a produtividade de 15 toneladas por hectare para 5 toneladas , e adotar a agricultura orgânica que  permite ao vinho expressar este maravilhoso terroir, que como dito anteriormente e confirmado pelo simpático proprietário Pedro Araujo , é o melhor de Portugal para a branca Loureiro.

Vinhos Provados
Provei os 4 vinhos da casa :
O Quinta do Ameal Clássico 2015  Um vinho sem passagem por madeira, floral, vibrante, boa estrutura  e grande frescor, e que foi meu favorito.
O Quinta do Ameal Solo 2014 também sem passagem por madeira, mas com fermentação malolática que o tornou  mais macio e amanteigado que o primeiro.
 Ameal Escolha 2014 Um vinho um pouco mais complexo marcado pelas flores brancas, frutas amarelas e ligeiro toque defumado, com boca mais ampla com final defumado confirmando o nariz.
Finalmente o Ameal Special Harvest 2007 um vinho de sobremesa surpreendente com aromas bem delicados de mel compota de laranja, e uma boca elegante onde a acidez foi predominante amaciando o dulçor característico dos vinhos de sobremesa.
O que achei da Loureiro
Já havia provado esta variedade por duas vezes sem ter ficado muito impressionado com seus vinhos, mas devo admitir que os exemplares desta vinícola foram um surpresa agradável, e me agradaram muito. Pesquisando posteriormente sobre a uva ficou confirmado que as uvas do Vale do Rio Lima são realmente diferenciadas, além disto como já informado anteriormente a a Quinta de Almeal sabedora que a variedade e muito produtiva vem reduzindo sua produtividade de 15 para 5 tons por hectare e com isto ajudando sua concentração e consequentemente melhorando a qualidade dos vinhos produzidos. Não provei safras velhas mas Pedro me assegurou que depois de 5 anos o vinho ganha nuances de petrolato bem em linha com o que ocorre com os Alvarinhos e os Riesling

DICAS

 Minha dica para quem gosta de um turismo requintado é certamente ficar na Quinta que possui cinco  suites maravilhosas fruto da reconstrução de antigas casas totalmente remodeladas com uma arquitetura  moderna, e contando com todos os itens de conforto dos melhores Hoteis de Charme. Imperdível. E não esqueçamos os vinhos da Ameal são importados pela Qualimpor.
Alma

Já que não fizemos um programa só sobre Lisboa gostaria de deixar  duas dicas de locais para comer na capital portuguesa: A primeira é o restaurante Alma, do chef Henrique Sá Pessoa localizado na Rua Anchieta 15 no  Chiado candidatíssimo a estrela Michelin neste ano, cozinha contemporânea criativa e saborosa com excelente carta de vinhos


A outra dica fica por conta da tradicional Cervejaria do Ramiro inaugurada em 1956 e que para mim é uma das melhores opções para quem gosta de um bom peixe em Lisboa Rua Almirante Reis número 1 .


No próximo post vamos falar sobre nossa visita a Quinta do Crasto. Aguardem 

15 de nov de 2016

Os resutados do TOP 5 São José dos Campos


Participei ontem de mais uma seleção dos TOP 5 do “Encontro de Vinhos” desta vez em São José dos Campos que será realizado no próximo dia 19 de Novembro nas dependências do SENAC à Rua Saigiro Nakamura 400 das 12 às 20 horas . Custo do ingresso R$ 50 que pode ser adquirido pelo: http://www.encontrodevinhos.com.br/comprar-ingresso . Durante a prova de ontem degustamos 20 vinhos e destes saíram as listas dos melheres de cada uma das categorias:

ESPUMANTES TOP 5
Aurora Chardonnay Procedências
Aurora Pinto Bandeira
Perini Edição 18 anos
Obra Prima
Perini Champagnoise

Meus 3 favoritos :
Aurora Pinto Bandeira
Obra Prima
Aurora Chardonnay Procedências


BRANCOS TOP 5
Aurora Chardonnay Pinto Bandeira
Perini Chardonnay Parcela Única
Sauvignon Blanc Chilcas
Finca La Florência Sauvignon Blanc
Finca La Florência Torrontes

Meus 3 favoritos:
Perini Chardonnay Parcela Única
Aurora Chardonnay Pinto Bandeira
Finca La Florência Sauvignon Blanc


TINTOS TOP 5
Familiae Primitivo di Manduria 2013
Vicentin Blend de Malbec 2013
Mandorla Primitivo di Puglia 2014
Aurora Millesime 2012
Perini Quatro 2012

Meus 3 favoritos:
Familiae Primitivo di Manduria 2013
Vicentin Blend de Malbec 2013
Aurora Millesime 2012

Não perca

Encontro de Vinhos : www.encontrodevinhos.com.br